sábado, 1 de dezembro de 2012

A imitação e a criação: um olhar histórico & antropológico

                  Brasil, América Latina. A América teve uma ocupação em termos de pesquisas arqueológicas, mais recente. Já foram divulgadas muitas pesquisas que despontaram no Brasil nas últimas décadas, indicando que a ocupação humana ainda é  mais antiga do que se imagina. No entanto, estudos de lingüística confirmam que não temos uma variedade tão grande de fonemas quantos outros continentes, apontando indícios da formação cultural mais recente de nosso povo.
          Nos idos do século XVI, recebemos uma influência externa muito forte, principalmente por europeus. Não estou defendendo aqui a expoliação das riquezas, o genocídio, muito menos absorção integral dos valores estrangeiros, em detrimento dos autótoctones. Sim, o termo é ultrapassado, mas nos perdoem por não ter ainda encontrado outro para expressar a ideia. A intenção é evidenciar o quanto somos sim, influenciados em termos de cultura, mentalidade, economia e, porque não dizer, moda.
            Não temos formação em moda, mas em tempos de um país como a China recebendo bilhões em investimento, inundando nossos mercados com seus produtos (e o mundo todo...), é necessário revisar ou “resgatar” o quão influente são o consumismo e a mídia para a formação de nossos gostos/padrões estéticos. E no underground, infelizmente não é diferente.
            “De costas para o continente, observando o litoral”, já dizia um autor não recordado. O Brasil está inserido numa cultura global, massificada, algo que teve início já nos tempos coloniais. Por meio de interação, tecnologias múltiplas e mídias, o tempo todos somos bombardeados por informação.
            Inspirados em Walter Benjamin e outros autores, concordamos que a indústria cultural utiliza de todos os mecanismos possíveis para a  maximização do lucro. Concordamos quando a autora do blog Moda de Subculturas refere-se ao fato de que a moda alternativa está um pouco repetitiva, sem muitas inovações. Infelizmente, a massificação da moda e a imposição de posturas ocorrem porque as lojas e marcas querem, precisam vender cada vez mais.
            Em nossa opinião, estamos vivendo um certo processo de estagnação, o que não impede não obstante, que no futuro nos recriemos, nos renovemos, cabe a nós atuar nisso. Mas quem garante, que você, no seu processo de criação, você com todas as suas inspirações e leituras de mundo, esteja mesmo sendo inovador? Segundo Aristóteles, “toda criação é um tipo de imitação, que produz algo um pouco diferente daquilo que foi imitado”. Ou seja, com todas as suas leituras & releituras, está acrescentando algo a mais, o que não garante (Ipsis litteris) que plenamente todo o processo tenha sido inovador.
            E no campo da moda, não poderia ser diferente. O inovador, o diferente, causa curiosidade, causa estranhamento, mas também admiração.
            Já observamos algumas de nossas peças não plagiadas, mas sendo modificadas, partindo da experiência da visualização e da admiração.
                           Blusinha exclusiva da Persephone
 Legging em veludo alemão exclusiva da Persephone, criada em 2007.
  Legging em veludo alemão exclusiva da Persephone, criada em 2007. Sessão de fotos de 2008.
                     Blusinha de vinil & legging em veludo.

                       Blusinha em veludo, lançada em 2011.
            Nossa marca poderia levantar a bandeira da reclamação do plágio. No entanto, cabe a nós, defendermo-nos apenas quando necessário. Sim, este é um artigo de autodefesa, para evitar futuras possíveis críticas e acusações.

O que você pode ler com relação ao assunto?
http://modadesubculturas.blogspot.com.br/2012/04/moda-mainstream-influenciando-moda.html

7 comentários:

  1. Bom artigo! Obrigada por citar o blog Moda de Subculturas!
    Só não entendi uma coisa, alguma destas fotos é dos plágios? Seria interessante vc publicar fotos dos plágios ou comparativos com suas peças para que os consumidores fiquem cientes e espertos. ;)

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  2. Olá tudo bem? Por enquanto não tivemos plágios descarados, mas já observamos lançamentos de coleções e peças com o mesmo material (leggings em veludo por exemplo), dizendo serem inovadoras, o que não são. Num futuro não muito distante, se realmente sentirmo-nos lesados de alguma maneira, procuraremos nossos direitos judicialmente.

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  3. Minha mãe usava calças de veludo nos anos 80.

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  4. Entendi! Muito obrigada por responder.!Se as peças forem cópias deslavadas de uma criação que defina a personalidade da marca é possível abrir processo, mas tendo sempre em mente que não há patentes em moda, mas há a ética profissional que caracteriza e difere os profissionais sérios dos não-profissionais.

    De fato, Amanda, em moda tudo se resgata de tempos em tempos, desde o século XVI quando a moda começou a desenvolver tendências.

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  5. É justamente sobre isso que o artigo aborda Amanda: a inspiração para recriar, reinventar. Em História (ciência histórica) não admitimos o termo resgate, mas em Moda sim.

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  6. Olá tudo bem?
    Adorei o texto, como o moda de subculturas disse, eu também acho que deveria informar as lojas, no entanto também concordo com você que se não é de modo descarados e se não esta lesando a sua loja, não há porque de imediato se enfrentarem, embora seja muito chato isso, mas com o tempo as pessoas vão perceber sozinhas. =) espero

    bjs

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    1. O pior nem é a cópia descarada. São aquelas disfarçadas de originais. Tem gente que confunde muito moral com ética, sendo que parecem olhar a si mesmas como éticas, quando no entanto estão defendendo uma moral patética.

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